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Quarta-feira, 5 de Abril de 2006

Cleópatra, de Rebeca Marini, 8ºA


Cleópatra é geralmente lembrada como uma mulher fatal egípcia, uma sedutora libertina que se matou por amor ao general romano Marco António. Há pouca verdade nisso. Embora Cleópatra fosse rainha daquele antigo reino, não corria nas suas veias uma só gota de sangue egípcio. Ela era grega da Macedónia; sua capital egípcia, Alexandria, era uma cidade grega, e o idioma da sua corte era o grego. Sua dinastia fora fundada por Ptolomeu, general macedônio de Alexandre, o Grande, que depois da morte deste se fizera rei do Egito.


Não havia o menor indício de ligações amorosas de Cleópatra, a não ser com Júlio César e, três anos depois da morte de César, com Marco António. E estas não foram ligações ao acaso mas sim uniões públicas, aprovadas pelos sacerdotes de então e reconhecidas no Egipto como casamentos. É absurda a versão de que ela era uma mulher sensual, que usou de todos os truques para seduzir esses homens. Júlio César, uns 30 anos mais velho do que ela, já tivera quatro esposas e inúmeras amantes. Marco António, 14 anos mais velho do que a jovem rainha, era também um conquistador conhecido. E, no fim, não foi por amor a ele que Cleópatra se matou, e sim pelo desejo de escapar à degradação nas mãos de outro conquistador.


Seus feitos, porém, revelam que ela foi uma mulher brilhante, engenhosa, que passou a vida lutando para impedir que seu país fosse aniquilado pelos romanos.


Nascida em 68 ou 69 A.C., Cleópatra cresceu entre as intrigas e as violências palacianas. Seu pai, Ptolomeu XIII, era um bêbado, um devasso cujo divertimento era tocar flauta. Morreu quando Cleópatra tinha 18 anos, e ela então se tornou rainha, governando juntamente com seu irmão de dez anos, Ptolomeu XIV. Dois anos depois, o jovem Ptolomeu, dominado por um trio de intrigantes palacianos, obrigou Cleópatra a exilar-se na Síria. Mostrando desde então a bravura que caracterizou sua vida, ela imediatamente organizou um exército e teve início a marcha através do deserto para lutar por seu trono.


Foi essa a Cleópatra que César conheceu no Outono de 48 A.C. Ele fora ao Egipto em perseguição ao general romano Pompeu, seu adversário numa luta pelo domínio político, género de contenda que manteria Roma convulsionada durante quase um século.


Quer o estratagema se destinasse a evitar os assassinos a soldo do irmão, quer se destinasse a impressionar César, o fato é que a sua entrada na cidade foi uma das mais sensacionais de todos os tempos. Sua coragem e seu encanto concorreram para convencer César de que seria de boa política restituir-lhe o trono. E, pouco tempo depois desse primeiro encontro, ela estava grávida.


Talvez para impressionar César com a riqueza do Egipto, Cleópatra organizou na primavera seguinte uma expedição para subir o Nilo. Durante semanas, ela e César navegaram pelo rio num luxuoso barco-residência, acompanhados por 400 embarcações levando tropas e provisões. Em Junho, Cleópatra deu à luz um filho, Cesarion ou Pequeno César, em grego. O recém-nascido, filho único de Júlio César, parece ter sido a origem de um plano ambicioso de César e Cleópatra para fundirem Roma e o Egipto num vasto império sob o domínio deles e dos de sua estirpe. Logo depois do nascimento do menino, César partiu de Alexandria e começou operações militares na Ásia Menor e na África do Norte, eliminando todos os focos de oposição restantes. Um ano depois, voltava triunfalmente a Roma, como ditador incontestado. Cleópatra já estava lá com Cesarion, instalada por César numa vila imponente.


Seus astrónomos reformaram o calendário romano, criando o calendário no qual se baseia o nosso actual sistema. Seu poder parecia absoluto. De repente, 20 meses depois de Cleópatra chegar a Roma, Júlio César foi assassinado.


Na luta pelo poder, mergulhou Roma numa guerra civil, os contendores procuravam seu auxílio. Ao que parece, sua política foi de cautelosa espera, para ver quem se tornaria o sucessor de César.


Quando Marco António surgiu como homem forte do Oriente, pediu a Cleópatra que fosse ao seu encontro em Tarso. Durante algum tempo ela não tomou conhecimento do convite; depois, levantou vela com uma frota magnífica, levando ouro, escravos, cavalos e jóias. Em Tarso, em vez de ir à terra como suplicante, Cleópatra esperou calmamente, ancorada ao largo. Depois de haver manobrado habilmente para que Marco António se tornasse seu convidado, ela o confrontou com um espectáculo ofuscante: os remos da galera, com pontas de prata, marcando o compasso da música das flautas e harpas, as cordas manobradas por belos escravos vestidos como ninfas e graças, enquanto outros espargiam o incenso de perfumes exóticos.


Ao terminar o banquete, Cleópatra deu de presente a Marco António o prato de ouro, as formosas taças, os suntuosos canapés e bordados que tinham sido utilizados para servi-lo. Na noite seguinte ofereceu nova festa a Marco António e seus oficiais, e, quando eles partiram, todos os convidados receberam idênticos presentes. Seu propósito não era conquistar a afeição de Marco António, mas impressioná-lo com a riqueza ilimitada do Egipto e, portanto, com as suas potencialidades como aliado.


Três meses depois, Marco António foi a Alexandria, e lá passou o Inverno. Partiu na primavera, seis meses antes de Cleópatra dar à luz os seus filhos gémeos, e passou quase quatro anos sem tornar a vê-la. Nesse intervalo, Cleópatra fortaleceu as defesas de seu país, organizou sua esquadra, acumulou ouro e provisões. Quando Marco António, na esperança de expandir seu poder no Oriente, a convidou a ir ao seu encontro na Síria, ela foi, mas resolvida a impor condições. Conseguiu obter um acordo pelo qual seriam dadas ao Egito todas as vastas áreas que haviam sido propriedade dos Faraós 1400 anos antes, mas que eram então províncias romanas. Marco António concordou também com um casamento legítimo, e, para comemorar o acontecimento, foram cunhadas moedas com as efígies dos dois. Nessa ocasião, Cleópatra começou uma nova etapa de seu reinado.


Então com 33 anos, partiu com Marco António para fazer guerra aos persas, mas no Eufrates teve de desistir da campanha. Estava novamente grávida. A criança nasceu no Outono, e naquele Inverno chegaram apelos desesperados de Marco António: seu exército fora destroçado, e os únicos remanescentes das tropas mal tinham conseguido escapar para a costa da Síria. Com dinheiro, provisões e armas, Cleópatra foi em seu socorro.


No ano seguinte, 35 A.C., ela teve de usar de todo seu engenho para evitar que Marco António com o espírito anuviado pela continuidade da bebida tentasse outra invasão da Pérsia. Compreendendo que o verdadeiro inimigo era Otávio, sobrinho e herdeiro legítimo de César, que de Roma dominava o Ocidente, ela insistiu com Marco António para que concentrasse todos os esforços em derrubá-lo. Em 32 A.C., Cleópatra precipitou a guerra com Otávio, persuadindo Marco António a tomar duas providências: baixar um édito pelo qual se divorciava de sua outra esposa, Otávia (a irmã de Otávio), e determinar que suas tropas atravessassem o Mar Egeu e entrassem na Grécia. Cleópatra estava então no apogeu.


De repente, em Actium, na costa ocidental da Grécia, ao cair da tarde de 2 de Setembro do ano 31 A.C., tudo se desmoronou. Os historiadores nunca chegaram a um acordo sobre essa batalha decisiva: não se sabe o motivo por que Marco António, com um exército superior, deixou que ela se transformasse numa batalha naval; nem por que, em plena batalha naval, com o resultado ainda indeciso, Cleópatra levantou vela e partiu a todo pano para o Egipto, com os seus 60 navios de guerra; ou por que Marco António deixou abandonado seu imenso exército para embarcar no navio de Cleópatra e partir com ela.


Com a chegada do inimigos na fronteira do Egipto, a esquadra e cavalaria de Cleópatra forma embora, mas ela permaneceu em Alexandria, pensando em poder negociar com Otávio. Com a aproximação do inimigo Marco António suicidou-se. Otávio conseguiu apanhar Cleópatra viva, ameaçou-a se ela se suicidasse, ele mataria os seus filhos


Embora Otávio prometesse clemência, Cleópatra presumiu que seu destino seria semelhante ao de centenas de outros reis cativos, que haviam sido levados em cortejo pelas ruas de Roma, acorrentados, para serem depois executados. Audaciosa até o fim, fingiu abandonar qualquer ideia de suicídio. Obtendo permissão para visitar o túmulo de Marco António, parece que conseguiu comunicar-se com partidários fiéis quando a sua liteira era carregada pelas ruas. Voltou aos seus aposentos, tomou banho, jantou e mandou que suas servas a vestissem como Vênus. Sobre o que aconteceu depois só se sabe que quando os oficiais romanos arrombaram seus aposentos encontraram Cleópatra morta. Segundo a lenda, a rainha se deixara morder por uma víbora que lhe fora mandada como contrabando numa cesta de figos.


Quando se comemorou em Roma a conquista do Egipto por Otávio, foi arrastada pelas ruas uma estátua de Cleópatra com uma víbora agarrada a um dos braços. Os seus três filhos com Marco, António, Cesarion, foram obrigados a marchar na degradante procissão.


 

publicado por António Luís Catarino às 14:18
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1 comentário:
De António Luís Catarino a 6 de Abril de 2006 às 00:10
Olá Rebeca. Continuas a tua colaboração sempre atenta e útil aqui no Esas História. Já te considero cá da casa, por isso também não te digo nada quando escreves este «artigão» sobre Cleópatra. Mas, sabes o que eu gostava mesmo? Era que dissesses a tua opinião sobre ela. Cá fico à espera, então. Mais tarde colocarei os teus outros artigos. Quanto à imagem que me mandaste teve de ser assim. Não a encontrei na net e é-me muito difícil estar a pôr no post a tirá-la do word. Preferia que me mandasses o endereço electrónico para apróxima. Adeus e Boa Páscoa.

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